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09/09/2007 GMT 1

Cancro...

heitor @ 01:47

Em Portugal morrem diariamente quatro a cinco mulheres vítimas de cancro da mama, uma «epidemia» que começa a atingir cada vez mais jovens, alertou esta terça-feira um representante da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).
«Todos os dias são detectados 13 novos de casos de cancro da mama e em Portugal morrem diariamente quatro a cinco mulheres», afirmou Mário Bernardo, coordenador do programa de exames de rastreio do cancro da mama na zona sul do país promovido pela LPCC desde 1997.
Uma doença normalmente associada a mulheres mais velhas, o cancro da mama começa a ser detectado cada vez mais em raparigas jovens, segundo o relato de Mário Bernardo.
«Há mais de 30 anos que tenho de pedir a meninas para tirar uma mama e é sempre muito difícil. Não há mês nenhum que não tenha raparigas de vinte e poucos anos com cancros da mama», recordou o médico, afirmando que «em todo o mundo ocidental há referências da doença em idades cada vez mais precoces».
Para este especialista, os números reflectem uma «epidemia» nacional: «Todos os anos são detectados 4.200 novos casos. Nós estamos perante uma epidemia, um problema da sociedade».
Por isso, «tudo o que seja recuar no tempo, antecipar o diagnóstico é benéfico», alertou Mário Bernardo durante a cerimónia de doação de 12 mil exames de rastreio à LPCC, resultado de uma campanha lançada pela empresa UNICRE entre 8 de Dezembro e 6 de Janeiro.
«Com os rastreios estamos a fazer algo para salvar vidas», afirmou a presidente da Liga, Manuela Rilvas, recordando que o programa lançado em 1990 pela instituição actua principalmente no interior do país, «onde ninguém fazia mamografias nem havia mamógrafos».
Segundo o coordenador da zona centro, o programa teve de ultrapassar grandes obstáculos no início: «Tivemos dez anos à espera para conseguir as listas dos centros de saúde com o nome, idade e morada das mulheres para as podermos convocar a fazerem o rastreio».
«Este é um trabalho feito com centenas de pessoas e milhares de voluntários que nunca aparecem nas cerimónias nem nos jornais, mas que fazem um trabalho notório», sublinhou o coordenador do programa de exames de rastreio da zona centro, Vítor Rodrigues.
Além da ajuda dos voluntários, o programa contou também com o apoio dos «padres que durante as homilias de domingo convenciam as mulheres a fazerem o rastreio», lembrou Mário Bernardo.
De dois em dois anos, as quatro unidades da LPCC «regressam religiosamente ao mesmo local» para que todas as mulheres, entre os 45 e os 69 anos, possam fazer ou repetir o exame, recordou Vítor Rodrigues.
A LPCC já realizou mais de 800 mil mamografias em todo o país, efectuando actualmente cerca de 130 mil exames por ano, um número que leva Vítor Rodrigues a falar numa «fábrica com o controle de qualidade mais apurado possível».
Prova disso é a forma como é feito o exame de rastreio: todas as mamografias são lidas por dois radiologistas para confirmar que nada é passado despercebido.
O grande objectivo dos rastreios é conseguir detectar a doença «num estádio muito precoce, quando o cancro ainda não é palpável, para poder diminuir a mortalidade», explicou Vítor Rodrigues.
O médico do centro do país recorda que «há 20, 25 anos não se falava em cura» e que dados actuais garantem que «o rastreio permite reduzir a mortalidade por cancro em 30% cento».
No entanto, Vítor Rodrigues deixa um alerta para os responsáveis governamentais: «se o cancro for diagnosticado e depois não houver possibilidade de tratamento este será um acto criminoso».
Entretanto, os dois especialistas recordam que existem algumas regras básicas que as mulheres devem ter em conta para combater este flagelo como os cuidados com a alimentação, que deve ser pobre em gorduras e álcool.
Entre os grupos de risco estão as mulheres com antecedentes familiares: «5 a 10% das mulheres com cancro de mama têm familiares que já sofreram desta doença», afirmou Mário Bernardo.
Os especialistas alertaram ainda as mulheres para o erro de não fazerem os rastreios por terem medo de lhes ser detectado um cancro e lembraram que, para os casos em que é detectada a doença, já existem grupos de apoio em Portugal.
«Eu não sei explicar a uma mulher o que é ter um cancro da mama, mas existem muitas outras mulheres que já passaram por isso, que agora estão em grupos de apoio e podem ajudar», lembrou Mário Bernardo.

Hoje, a UNICRE doou a quantia referente a 12 mil exames de rastreio conseguida através de uma campanha intitulada «Quem tem um coração grande, passa cartão às boas causas».

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